MinC, Aliança Francesa, mil instituições, artistas, gourmets e gourmands. Promoção bilateral? de cultura?. Igualdade de condições? Não sei. Defendo veementemente que não. E eis minha experiência.
Rua da França em Curitiba no último sábado. Rua Prudente de Moraes (coincidência ou não, um oligarca cafeeiro paulista) atravessada por barracas brancas e pessoas elegantes com jacarezinhos convergindo de todos os lados. Dentro das barracas, algumas mesas com distintos, vinhos em uma micro taça por oito reais, boulangerie em geral, porcariazinhas como misto-quente por cinco reais chamados de croque-messieur.
Um escândalo, uma feirinha de trocas simbólicas. Há quem diga, um luxo. Um esbanjamento de ostentação por parte dos consumidores e vendedores. Maus tratos aos destoantes. Brasileiros falando francês hostilizando brasileiros. Vendedores hostilizando tudo que destoasse do padrão homem, branco, bem sucedido (ou em palavras mais claras, burgueses com Lacoste).
Tenho absoluta certeza de que uma parte dos franceses consideraria um evento desses completamente bizarro. Considero, evidentemente, todo o mérito do excelente artista plástico – francês – que retratou Curitiba. Mas fora isso, nada de novo.
O que a França tem a mostrar a um país subdesenvolvido como o Brasil, que têm suas elites todas intelectualmente condicionadas a partir do exemplo francês? De novidades, artes de rua pós-modernas, as possibilidades do popular, a arte da periferia.
Mas na Rua Prudente de Moraes não há espaço pra isso. Há espaço, somente, para a reprodução de relações colonialistas entre brasileiros. Sublinho, entre brasileiros. E o mais bizarro, uma combinação de feudalismo com república. Uma fusão mal resolvida de uma elite local que apesar de ver toda a beleza do mundo nas três cores e no lema da revolução francesa, não conhece princípios de racionalidade da impessoalidade.
Uma elite bem à la Prudente de Moraes, provinciana – ou muito melhor, batelense – retrógrada, que insiste em adquirir hábitos europeus mas não permite transformações porque sua visão de mundo é muito restrita às estruturas mentais de senhores feudais.
Portanto, a despeito de toda a boa intenção possível dos organizadores, algo de muito estrutural em Curitiba deu suas caras nesse sábado. Não se mostrou, sequer se trocou cultura. Evidente foi o pedantismo dessa elite classicamente moderna por fora, absolutamente imóvel e rudimentar por dentro que mais retarda do que edifica tudo em termos de cultura nessa cidadela.

Gostei do texto. Gostei mais ainda da colocação sobre esse classicismo extremamente provicinano que alguns lugares em Curitiba insistem em perpetuar. Só não lembro exatamente onde consegui o link. Acho que foi no twitter. Um abraço!
Certifiquei… foi via twitter… @curitibacultura … o meu mesmo é @marceloleite.
Outro abraço.
Muito bom o texto gi!
Principalmente a parte onde voce cita a Revoluçao Francesa.
Ela e tao elogiada…Mas sera que o pessoal do jacarezinho iria defender uma dessas aqui? Cabeças erradas poderiam rolar..
Ah..Bacana o blog .. ja “assinei” o feed. =)
bjo!